Como Escolher um Demônio para um Ritual de Prosperidade, Riqueza e Sucesso


Escolher um “daemon” (demônio) adequado para rituais de prosperidade é uma arte que combina conhecimento ocultista tradicional, intuição pessoal e compreensão psicológica. Neste artigo, vamos explorar como selecionar e trabalhar com espíritos como Paimon, Bune ou Purson em rituais voltados a prosperidade, riqueza, negócios, abundância, dinheiro e carreira. Abordaremos também as vantagens de evocar Lúcifer e a egrégora de Baphomet nesses trabalhos, integrando elementos da Goétia Luciferiana, grimórios clássicos (Lemegeton, Grande Grimório – Dragão Vermelho e Grimorium Verum), além de conceitos da magia do caos e do luciferianismo moderno. Veremos não só os aspectos espirituais e ocultos, mas também como fatores neurológicos, bioquímicos e psíquicos atuam antes, durante e depois do ritual – mostrando que a magia impacta mente, corpo e espírito de forma integrada.

Falaremos de forma acessível aos iniciantes, sem perder a profundidade que praticantes experientes esperam. Ao final, daremos uma visão “figurativa” de instruções práticas – simples e modernas – indicando caminhos de estudo ou a busca de um magista qualificado para quem quiser se aventurar com segurança. Prepare-se para uma jornada coesa e inspiradora por um dos temas mais fascinantes do ocultismo!

Ocultismo Tradicional e Prosperidade: Goétia e Grimórios Clássicos

Desde a Antiguidade, pessoas recorrem a entidades espirituais em busca de prosperidade e favores terrenos. Grimórios medievais e renascentistas – livros de magia cerimonial – registram hierarquias infernais e rituais para evocar demônios em troca de conhecimento, riquezas ou poder. Na tradição da Ars Goetia (primeira parte do Lemegeton, a Chave Menor de Salomão), encontramos espíritos associados a diversos dons, inclusive riqueza. Já textos de magia “negra” como o Grande Grimório (também chamado Dragão Vermelho) e o Grimorium Verum vão direto ao ponto: ensinam pactos e conjurações para obter tesouros e fortuna com auxílio de demônios de alta hierarquia.

Por exemplo, o Grande Grimório descreve um pacto com o demônio Lucifuge Rofocale – o “Primeiro-Ministro” do Inferno – para ter acesso a todos os tesouros do mundo. Lucifuge é subordinado ao próprio Lúcifer, que lhe teria investido do poder sobre todas as riquezas terrenas e o controle do tesouro infernal[1][2]. Em outras palavras, na lenda do Dragão Vermelho, Lúcifer é visto como o “Imperador” e guardião final das riquezas, ao passo que Lucifuge age como seu intermediário nos pactos de dinheiro. O evocador deveria invocá-los e firmar um contrato – oferecendo algo de grande valor (às vezes, a própria alma após um período de anos) – para então ser conduzido a tesouros ocultos ou oportunidades incríveis de riqueza[3][4].

No Grimorium Verum, encontramos Clauneck, espírito explicitamente ligado a dinheiro. Diz-se que “Clauneck tem poder sobre bens, dinheiro e finanças” e “pode conceder grande riqueza”, sendo “muito amado por Lúcifer”[5]. Essa nota de Clauneck ser querido por Lúcifer indica, simbolicamente, que ele é eficiente em trazer prosperidade a quem o invoca, contanto que seja tratado com respeito. Ou seja, os grimórios tradicionais apresentam uma “cadeia de comando” infernal na qual demônios superiores (Lúcifer, Lucifuge etc.) detêm o poder macro sobre riquezas, enquanto demônios inferiores como Clauneck ou Bune atuam diretamente para entregá-las ao magista que seguir os protocolos.

Paimon, Bune e Purson – Exemplos de Espíritos de Prosperidade

Entre os 72 espíritos da Goétia, vários são associados a ganhos materiais, status ou descobertas valiosas. Três deles frequentemente mencionados em contextos de prosperidade são Paimon, Bune e Purson, citados em grimórios e praticados por ocultistas modernos:

  • Rei Paimon – É o 9º espírito da Goétia e um dos Grandes Reis do Inferno, descrito como muito obediente a Lúcifer[6]. Tradicionalmente, Paimon é conhecido por ensinar todas as artes e ciências, revelar segredos ocultos e conferir dignidades e honrarias ao mago[7]. Isso significa que Paimon traz conhecimento profundo e elevação de status – aspectos valiosos para quem busca sucesso profissional ou fama. Ocultistas contemporâneos o veem como um patrono das artes e da criatividade: há relatos de Paimon ajudando artistas a ganhar dinheiro com sua arte e até alcançar níveis notáveis de reconhecimento e fortuna[8]. Ele “dá dignidade”, ou seja, melhora a reputação e favorece promoções[9]. Assim, Paimon é ideal para quem procura inspiração, habilidades criativas e reconhecimento – transformando talentos em prosperidade. (Por exemplo, um escritor ou empreendedor criativo poderia evocar Paimon para ter ideias brilhantes e ganhar renome em sua área.)
  • Duque Bune (Bime) – O 26º espírito goético, Bune é diretamente associado à riqueza material. Na Chave Menor de Salomão ele é descrito assim: “Ele concede riquezas ao homem, e o torna sábio e eloquente”[10]. Bune também melhora a reputação do magista, ajudando-o a ascender socialmente (o que pode levar a promoções e sucesso nos negócios)[10]. Em suma, Bune é um demônio “trazedor de dinheiro”, clássico para quem precisa de dinheiro rápido, oportunidades financeiras ou melhorar sua lábia e influência (qualidades úteis em vendas, entrevistas de emprego, negociações etc.). Muitos ocultistas recomendam Bune para casos de necessidade financeira imediata ou para expandir patrimônios. Vale lembrar que Bune, segundo fontes tradicionais, também pode mover os mortos de lugar e atrair espíritos guardiões de tesouros – indicando sua capacidade de desenterrar riquezas ocultas nas situações mais improváveis.
  • Rei Purson – O 20º espírito da Goétia, outro Grande Rei infernal, é famoso por “conhecer todas as coisas escondidas” e “descobrir tesouros”, além de revelar eventos do passado, presente e futuro[11][12]. Purson aparece como um homem com face de leão montado num urso, precedido pelo som de trombetas, e responde verazmente sobre coisas terrenas secretas e divinas[12]. Na prática, Purson é invocado para encontrar oportunidades escondidas de riqueza, recursos que estejam “embaixo do nariz” mas que ninguém percebe. Ele também concede visão profética e sabedoria para tomar decisões (essencial para investimentos ou estratégias de negócio). Por isso, Purson pode ser indicado para quem sente que há potencial não aproveitado ao seu redor – seja um talento inexplorado, seja um nicho de mercado ainda oculto – ou para quem busca orientação sobre qual caminho profissional renderá mais frutos. Além disso, Purson “traz bons familiares”, o que pode ser interpretado modernamente como atrair parceiros, mentores ou aliados úteis à carreira do magista[13].

Esses três são apenas exemplos. Há outros demônios conhecidos por auxiliar em riqueza, como Belial (que fortalece determinação e ambição), Mammon (sinônimo de avareza e riqueza material), Clauneck (especialista em dinheiro, conforme o Grimorium Verum) e assim por diante. Cada espírito tem uma “especialidade” e uma personalidade. A chave para escolher é alinhar o propósito do seu ritual com as atribuições do demônio em questão.

Dica: Estude as descrições dos espíritos nos grimórios e em fontes confiáveis. As habilidades listadas muitas vezes usam linguagem simbólica. Por exemplo: “descobrir tesouros ocultos” pode significar tanto achar dinheiro escondido literalmente quanto revelar uma ideia de negócio genial que estava “oculta” em sua mente[14]. Interpretar essas correspondências de forma criativa, aplicada à sua situação atual, é parte do trabalho do magista. Tesouros podem ser oportunidades, inimigos “invisíveis” podem ser obstáculos internos, e assim por diante[15].

Influência de Lúcifer e Baphomet no Ritual de Prosperidade

Dois nomes poderosos sempre citados no ocultismo luciferiano e satanista moderno são Lúcifer e Baphomet. Embora não estejam na lista dos 72 goéticos do Lemegeton (Lúcifer aparece em outros grimórios como líder supremo, e Baphomet é mais um símbolo do que um “demônio” listado), vale a pena entender como eles podem potencializar um ritual de abundância.

Lúcifer, cujo nome significa “Portador da Luz”, é visto pelos Luciferianos não como o diabo cristão maligno, mas como uma entidade ou arquétipo de conhecimento, iluminação e rebeldia contra a ignorância[16][17]. Evocar Lúcifer antes ou durante um ritual de prosperidade pode trazer diversas vantagens:

  • Autoridade Espiritual e Hierárquica: Muitos demônios (como Paimon) são descritos como obedientes a Lúcifer[6]. Invocar Lúcifer primeiro cria uma “aura de autoridade” no círculo – é como chamar o rei antes de falar com seus ministros. Isso pode facilitar a manifestação dos outros espíritos, pois você demonstra respeito à cadeia de comando espiritual. Tradicionalmente, alguns magos começavam chamando nomes divinos ou superiores; na Goétia Luciferiana, Lúcifer pode ocupar esse papel de Grande Patrono do ritual.
  • Iluminação e Clareza de Intenção: Lúcifer simboliza a luz do intelecto. Sob sua égide, o magista pode obter clairvoyance (clarividência) e conhecimento oculto para guiar seus passos[18]. Em termos práticos, ele pode ajudá-lo a enxergar soluções e caminhos para ganhar dinheiro que antes estavam fora do seu campo de visão, ou a entender quais hábitos e crenças estão bloqueando seu progresso. Quando “evocado com sucesso, Lúcifer pode imbuir o mago digno com magníficos poderes mágicos, incluindo clarividência e conhecimento de verdades ocultas”[18]. Imagine receber insights súbitos de negócios ou sentir uma intuição forte sobre onde investir – muitos atribuem essas sincronicidades à mão de Lúcifer guiando após a evocação.
  • Empoderamento e Transformação Pessoal: Do ponto de vista luciferiano moderno, trabalhar com Lúcifer é mais do que pedir favores – é buscar transformação interior. Ele inspira auto-confiança, independência e a coragem de buscar ambições grandiosas. Não é “dinheiro caindo do céu”, mas sim você se tornar a pessoa capaz de gerar riqueza. Como diz um ocultista, “trabalhar com Lúcifer não é adoração do diabo, mas uma busca por transformação, empoderamento e iluminação do self”[19][17]. Essa transformação pode ser exatamente o que vai destravar sua vida financeira – seja perdendo o medo de investir, seja aprendendo novas habilidades, seja rompendo com limitações autoimpostas.

Baphomet é frequentemente mencionado como uma egrégora poderosa. Originalmente popularizado pelo ocultista Éliphas Lévi em 1856, Baphomet é representado como uma figura andrógina com cabeça de cabra, apontando para cima e para baixo – incorporando a ideia “Solve et Coagula” (dissolver e coagular) e a reconciliação dos opostos[20]. Importante: Baphomet não é exatamente um “demônio” personificado, mas um símbolo complexo e multicamadas. Muitos ocultistas veem Baphomet como um princípio ou força universal, não intrinsecamente demoníaca ou angélica, mas uma fonte de equilíbrio, conhecimento e poder alquímico[21].

Evocar ou invocar a egrégora de Baphomet em um ritual de prosperidade pode oferecer vantagens sutis porém profundas:

  • Equilíbrio entre o Material e o Espiritual: Baphomet sintetiza luz e escuridão, masculino e feminino, matéria e espírito[20]. Ao trazer essa egrégora, você convida um equilíbrio alquímico que garante que sua busca por riqueza material não fique divorciada de crescimento espiritual. Muitos magos temem que focar em dinheiro possa “desequilibrar” suas vidas; Baphomet ajuda a integrar a abundância de forma harmoniosa, lembrando que o dinheiro é parte da jornada, não o fim último. A própria imagem de Baphomet traz símbolos de sabedoria e iluminação, como a tocha entre os chifres (luz da consciência) e o pentagrama no terceiro olho. Ele representa a fusão dos opostos e a transformação, um “Agente Mágico” por trás da própria magia[22].
  • Conexão com o Mundo Material (Terra): O pentagrama invertido associado a Baphomet é, segundo algumas interpretações, um símbolo do mundo material e carnal[23]. Longe de ser algo negativo, isso indica ancoramento – a capacidade de manifestar resultados concretos. Incluir Baphomet no ritual pode “aterrar” a energia, facilitando que sua intenção de prosperidade se coagule na matéria (para usar o termo alquímico). Ou seja, Baphomet ajuda a trazer o abstrato para o real. A Sigil de Baphomet, adotada por ordens satanistas modernas, é literalmente chamada de “insígnia do mundo material, representando a carnalidade e os princípios terrenos”[23]. Essa energia é muito bem-vinda quando se busca dinheiro, que afinal é uma força bem concreta.
  • Força Coletiva (Egrégora): Chamamos de egrégora o campo de energia criado por crenças e pensamentos coletivos ao longo do tempo. Baphomet, venerado ou meditado por ocultistas há mais de um século, tornou-se uma egrégora potente. Evocá-lo significa conectar-se a essa corrente de poder acumulado. Alguns veem Baphomet quase como “o Guardião Sagrado das vastas ensinanças e segredos do universo”, um arquétipo guardião da sabedoria oculta[21]. Diferente de um demônio goético individual (que teria personalidade própria), a egrégora de Baphomet é como um reservatório de força arquetípica que qualquer um pode acessar com a sintonia correta. Essa egrégora tem sido vinculada a ideias de caos e não-dualidade, ou seja, a fonte indiferenciada de onde tanto a ordem quanto a novidade emergem[24]. Trazer essa presença ao ritual pode desencadear insights criativos inesperados, reviravoltas súbitas de sorte e uma proteção contra extremos (nem miséria, nem ganância descontrolada – mas abundância equilibrada).

Em resumo, Lúcifer atua como um mentor e catalisador de poder pessoal, enquanto Baphomet fornece uma base simbólica sólida e equilibradora. Ambos elevam o ritual: um trazendo luz e autoridade, outro aterrando e unificando as energias. Não é obrigatório evocar nenhum dos dois – você pode muito bem trabalhar só com um demônio específico de prosperidade. Porém, muitos praticantes avançados gostam de incluir Lúcifer como patrono (por exemplo, acendendo uma vela especial a Lúcifer, recitando um trecho do Enchiridion Luciferi ou chamando “Lucifer, inspirador, esteja presente” antes do restante) e usar símbolos de Baphomet no altar ou meditar na sua imagem para se alinhar com essa egrégora durante a operação.

Como Escolher o Espírito Certo para Seus Objetivos

Tendo passado pelo panorama tradicional, vamos ao processo de escolha em si. Como saber qual demônio (ou divindade, ou egrégora) chamar para um determinado desejo de prosperidade? Algumas orientações práticas:

  • 1. Defina Claramente seu Objetivo: Antes de mais nada, especifique o que prosperidade significa para você naquele momento. É conseguir dinheiro imediato para quitar dívidas? É melhorar sua carreira a longo prazo (promoções, reconhecimento)? É ter ideias criativas para um negócio? Ou talvez atrair investidores ou clientes? Cada meta dessas poderia ser melhor atendida por espíritos diferentes. Escreva num papel seu objetivo de forma clara. Exemplo: “aumentar minha renda mensal em X% nos próximos 6 meses através de promoção ou novo emprego”.
  • 2. Estude Correspondências dos Espíritos: Consulte fontes como grimórios clássicos e compêndios modernos para encontrar quais entidades regem o tipo de pedido desejado. Como vimos:

·         Dinheiro rápido, ganho financeiro direto -> Bune, Clauneck, Mammon.

·         Sucesso profissional e honra -> Paimon, Belial (para força de vontade), Belzebu (em alguns sistemas, por status de “príncipe”).

·         Descoberta de oportunidades escondidas -> Purson, Foras (Foras na Goétia também “descobre tesouros escondidos”[25]), Vapula (ensina habilidades), etc.

·         Inspiração criativa lucrativa -> Paimon, Ophiel (inteligência mercurial dos grimórios), etc.

·         Proteção de bens e investimentos -> Andromalius (recupera bens roubados e pune ladrões[26]), Vepar (proteção naval/comércio), etc.

Monte uma pequena lista de candidatos. Atenção: não recomendo chamar muitos de uma vez; a lista é para você avaliar e então focar em um ou dois no máximo. Mas ter opções ajuda a sentir qual vibra com você.

  • 3. Considere sua Conexão Intuitiva: Magia não é só intelecto – sua intuição conta muito. Depois de ler sobre os possíveis demônios, pare e sinta: algum nome ou selo chama você mais forte? Algum deles apareceu em sonhos ou coincidiu de você ler em vários lugares? Essa “sincronicidade” pode indicar que o espírito em questão já está inclinado a trabalhar com você (ou seu subconsciente já está sintonizado com ele). Por exemplo, se toda hora você se depara com referências a “Rei Paimon” nos dias de pesquisa, pode ser um sinal. Muitos praticantes relatam “o demônio escolhe você” tanto quanto você o escolhe.
  • 4. Avalie sua Comodidade e Experiência: Se você é iniciante absoluto, talvez não seja sábio começar conjurando o mais “difícil” ou intimidante espírito. Todos merecem respeito, mas alguns têm fama de mais desafiadores na manifestação. Paimon, por exemplo, é bastante poderoso e costuma vir acompanhado de uma comitiva (segundo o grimório, vem com vozes altas e trombetas[6]!). Isso pode ser avassalador para um novato. Já Bune costuma se manifestar de forma mais amena (alguns relatam sensação calma, voz suave). Claro, experiências variam, mas considere relatos de outros magos (sempre filtrando exageros) para escolher alguém compatível com seu temperamento. Se você é uma pessoa mais medrosa, talvez comece com um espírito de natureza mais “branda” ou trabalhe inicialmente com a egrégora de Baphomet ou um sigilo de prosperidade caótico para ir criando confiança.
  • 5. Contextualize Culturalmente: Outro aspecto – você possui vínculo prévio com alguma tradição? Por exemplo, se você já cultua alguma divindade pagã da abundância (Lakshmi, Ganesh, Cernunnos, etc.), nada impede de integrar essa familiaridade. Alguns magos do caos evocam demônios goéticos usando máscaras divinas (eg., tratando Bune como uma “face” de uma deusa da fortuna). Isso pode ajudar a reduzir medos e facilitar conexão. Na Goétia Luciferiana moderna, os demônios às vezes são entendidos como antigos deuses disfarçados (Purson, por exemplo, já foi comparado a Horus por certos autores[27]). Então, escolha também baseado no que ressoa com suas crenças. Se você é Luciferiano convicto, evocar Lúcifer junto fará todo sentido; se é mais próximo da magia cerimonial solomônica, seguir as correspondências planetárias de cada demônio pode ser importante (Paimon e Purson são do Sol – ouro, domingo; Bune é associado a Vênus ou Mercúrio em algumas fontes, etc.).

Resumindo: alinhe objetivo, atributos do espírito e afinidade pessoal. Essa tríade garante maior sucesso. E não se preocupe – se você escolher com honestidade de intenção, dificilmente errará feio. O máximo que pode acontecer é perceber depois que outro espírito seria mais apropriado; se for o caso, você aprende e tenta novamente mais tarde com a entidade correta. Faz parte do aprendizado do mago.

Preparação: Relacionamento Antes do Ritual

Uma vez escolhido o espírito, comece a se conectar com ele antes mesmo do ritual principal. Diferente das instruções rígidamente cerimoniais antigas (que mandavam o mago jejuar, vestir vestes especiais e partir direto para conjuração ameaçando o demônio a obedecer), a abordagem luciferiana e demonolatrista moderna incentiva construir uma relação de respeito e familiaridade prévia com a entidade. Pense assim: é mais fácil pedir ajuda a um conhecido do que a um estranho total – com os demônios vale o mesmo.

Aqui vão algumas práticas de preparação:

  • Estude a Fundo o Espírito: Leia tudo que puder: o verbete no grimório original (se possível), interpretações modernas, experiências de outros (fora do ritual, é seguro ler relatos e fóruns para ter ideia). Descubra seus símbolos, selo (sigilo) e possíveis preferências. Por exemplo, Paimon rege o oeste e gosta de ser recebido com música (lembra das trombetas em sua chegada)[6]; Bune às vezes é associado ao elemento Terra ou Água e poderia apreciar moedas ou vinho; Purson vem acompanhado de sons de trombeta, talvez incorporar som de sino ou trompete em sua invocação seja interessante. Esses detalhes tornam a “apresentação” personalizada, mostrando que você fez o dever de casa. Muitos demônios têm “cores, incensos, plantas, metais” associados (Paimon e Purson ligados ao Sol – logo cor dourada, incenso de olíbano, metal ouro; Bune como duque poderia ter verde, cobre, etc.). Essas correspondências vêm de compilação de ocultistas como S. Connolly, Aleister Crowley, entre outros, e ajudam a sintonizar a energia correta.
  • Medite no Sigilo e Enn: A maioria desses espíritos têm um sigilo (símbolo gráfico) tradicional – geralmente disponível em livros ou online – e um “enn” (um mantra curto atribuído a eles na tradição demonolatrista). Por exemplo, o enn de Paimon é “Linan Tasa Jeden Paimon”[28]; o de Bune: “Wehlc Melan Avage Bune Tasa”; Purson: “Ana Jecore On Ca Purson”[29]. Nos dias anteriores ao ritual, sente-se em um local tranquilo, acenda uma vela ou incenso leve, olhe fixamente para o sigilo do espírito e repita o enn dele diversas vezes (ou simplesmente repita o nome dele calmamente, se não tiver enn). Entre num estado meditativo e perceba qualquer sensação – imagens que surjam, mudanças de humor, pressão no ambiente. Estabeleça um contato inicial telepático. Pode até falar mentalmente com o espírito: se apresente, diga que deseja trabalhar com ele em breve para [seu objetivo] e que faz isso com respeito e boas intenções. Não espere respostas estrondosas; às vezes virá apenas uma leve paz ou um insight. Mas esse gesto quebra o gelo, por assim dizer. É como apertar a mão antes de fechar um contrato.
  • Ofereça Pequenos Agrados: Na demonolatria (culto devocional a demônios), é comum fazer oferendas simples para honrar a presença deles. Você pode, nos dias anteriores, acender uma vela da cor correspondente no fim da tarde (hora tradicional de demônios diurnos) ou à noite (se for noturno) e dedicar ao espírito: “Ofereço esta luz e este aroma a ti, [Nome], em amizade.” Poderia oferecer um pouco de bebida (vinho, cerveja, hidromel) num copinho, ou deixar algumas ervas/planta relacionadas em um pratinho. Esses gestos simbólicos demonstram boa fé e criam uma atmosfera energética acolhedora. Lembre-se do ditado: “Demônios tratam bem quem os trata bem.” Não é subserviência cega, é reciprocidade e hospitalidade mágicka.
  • Prepare-se Mental e Fisicamente: Cuidado com sua energia pessoal. Na véspera do ritual, tente descansar bem, comer leve, evitar conflitos ou atitudes muito mundanas que dispersem seu foco (não precisa isolamento monástico, mas mantenha-se centrado). Se quiser, tome um banho ritual (pode ser um banho de ervas como louro, canela e alecrim para prosperidade) para purificar e sacralizar seu corpo. Vista roupas limpas – podem ser negras, ou com cores correspondentes ao espírito ou ao dinheiro (verde/dourado). Tenha à mão os instrumentos que planeja usar (ex.: incenso de canela ou jasmim para abundância, velas verdes/douradas, o sigilo desenhado num papel, etc.). A ideia é que, quando chegar o momento, você já esteja em sintonia: nem tenso demais (a ponto de travar), nem disperso demais (a ponto de banalizar o evento). Um ritual começa bem antes do momento de acender velas – ele começa na preparação mental e energética que você faz de si mesmo e do ambiente[30].
  • Planeje o Roteiro do Ritual: Especialmente se você for iniciante, escreva ou tenha um roteiro claro do que fará e dirá. Isso tira ansiedade do improviso. Inclua: invocação inicial (pode ser uma oração a Lúcifer ou aos seus guias, se quiser proteção extra), a chamada do espírito principal (palavras que vai usar para chamar Paimon/Bune/Purson – pode usar fórmulas do grimório adaptadas sem as ameaças, ou algo do coração), tempo de comunicação (perguntas ou declaração de pedido), oferecimento final (promessa de oferenda ou agradecimento), licença para partir e encerramento. Ter esse script acalma o cérebro ansioso, pois rituais repetitivos reduzem a ansiedade e dão sensação de controle[31][30]. Estudos de neurociência mostram que pré-planejar comportamentos ritualísticos diminui o medo do fracasso e aumenta a confiança na performance[32][33]. Em outras palavras, saber o que você vai fazer “quando encontrar o espírito” diminui aquele frio na barriga do desconhecido.

Durante o Ritual: Conectando-se ao Espírito com Respeito e Foco

Chegado o momento do ritual em si, é normal sentir o coração acelerar – um misto de excitação e nervosismo. Saiba que seu corpo está reagindo quimicamente: a adrenalina pode subir um pouco, colocando-o em estado de alerta. Use isso a seu favor como energia para o rito, ao invés de medo. A estrutura básica de um ritual de evocação de prosperidade, integrando elementos modernos, pode ser a seguinte:

  1. Preparação do Espaço Sagrado: Escolha um local tranquilo onde não será interrompido. Monte seu altar com itens simbólicos: vela(s) da cor escolhida, incenso aceso, talvez representações de prosperidade (moedas, uma nota de dinheiro, uma pedra como pirita “ouro-dos-tolos”, etc.). Se desejar, desenhe um círculo no chão ou simplesmente visualize uma esfera de luz ao seu redor para delimitar um espaço mágico. (Nota: Luciferianos às vezes não usam círculo para não “afastar” o demônio – preferem encontrá-lo sem barreiras. Outros usam o círculo mais para manter foco e afastar interferências externas do que por medo do espírito. Faça como sentir melhor). Você pode colocar o sigilo do demônio no altar, e também imagens/sigilos de Lúcifer ou Baphomet se for envolvê-los. Deixe também à mão a oferta prometida (ex: uma taça de vinho, ou uma carta de intenção que queimará) se for ofertar algo durante ou após.
  2. Acalmando a Mente – Estado Ritual (Gnose): Antes de evocar, entre num estado alterado de consciência leve. Pode fazer uns minutos de respiração profunda ou meditação. Se souber técnicas de transe, como focar na chama da vela ou entoar um mantra monótono, faça. Isso leva seu cérebro de ondas beta (pensamento ativo normal) para ondas alfa e até theta, que correspondem a um transe hipnagógico[34][35]. Nesse estado, a fronteira entre consciente e inconsciente se afrouxa; você fica mais receptivo a estímulos sutis e visualizações[36][37]. É o mesmo princípio de um transe hipnótico, onde o subconsciente domina e pode se comunicar por imagens e metáforas[36]. Esse estado é ideal para magia – você estará calmo mas focado, num ponto ótimo entre relaxamento e concentração. Neurologicamente, o ritual repetitivo e premeditado acalma a amígdala (centro do medo) e engaja o córtex pré-frontal (razão e intenção)[38]. Ou seja, você fica menos ansioso e mais controlado, quase em fluxo.
  3. Invocação Inicial (Opicional): Se for chamar Lúcifer ou criar um clima luciferiano, este é o momento. Pode ser simples: “Eu invoco a presença de Lúcifer, Portador da Luz, aquele que ilumina meus caminhos. Que sua sabedoria guie este ritual e traga clareza e poder à minha intenção.” – dito com convicção. Ou recite alguma passagem poética que lhe agrade. Sinta-se envolvido por uma energia clara, confiante. (Se preferir uma presença protetora angélica ou sua divindade de caminho, também o faça conforme sua tradição pessoal – não há mal em pedir proteção mesmo num rito de demonologia, desde que não seja uma proteção “contra” o demônio chamado, mas sim contra energias indesejadas. Muitos Luciferianos invocam Lilith, por exemplo, para guardar o círculo.)
  4. Evocação do Demônio da Prosperidade: Agora, com voz firme, pronuncie o nome do espírito escolhido. Por exemplo: “Rei Paimon, eu te evoco! Venha até este local, poderoso Paimon, amigo e aliado, pois busco tua orientação e auxílio. Pelos nomes antigos e pelo pacto de respeito que ofereço, compareça e fale comigo.” – Isso é só um exemplo; você pode embasar nas conjurações dos grimórios (adaptando a linguagem arcaica) ou falar espontaneamente. Enquanto chama, olhe para o sigilo e visualize-o ganhando vida, brilhando. Você pode repetir o enn dele seguidamente e chamar pelo nome. Coloque energia emocional na voz – sem gritar necessariamente, mas com intenção. Essa projeção de vontade é o que no caos chamamos de gnose ou rajada mágica. Alguns gostam de tocar um sino ou batida rítmica para marcar o chamado (lembre-se, Purson e Paimon são ligados a trombetas – som pode ser canal). Continue até sentir que “foi ouvido”. Sinais de que a presença chegou variam: uma mudança na chama da vela, um arrepio na espinha, sensação de não estar mais sozinho no recinto, às vezes até ouvir sutilmente uma voz ou ver uma forma na visão periférica. Pode ser muito delicado ou bem pronunciado dependendo de sua sensibilidade psíquica. Mesmo que nada aconteça sensorialmente, tenha fé que o espírito está ali – a metabelief do caos magic diz que agir como se a entidade estivesse presente é suficiente para acionar efeitos psicológicos e parapsicológicos reais[39][40].
  5. Comunicação e Pedido: Agora que o espírito está (ou supõe-se estar) presente, cumprimente com respeito: “Seja bem-vindo, [Nome]. Agradeço por atender ao meu chamado.” Mantenha uma postura de parceria respeitosa – nem servil demais (você não quer se humilhar sem necessidade), nem arrogante mandão. Trate-o como um mentor/aliado poderoso. Então exponha seu desejo claramente. Exemplo: “Eu busco sua ajuda para aumentar minha prosperidade. Preciso de melhorias no trabalho, mais oportunidades de ganhos e estabilidade financeira. Peço que, com seu poder, abra meus caminhos para riqueza, ensinando-me e guiando-me a obter [promoção, clientes, etc.]. Em troca, ofereço minha sinceridade, respeito e a promessa de [oferecer algo, divulgar seu nome, etc].” Seja específico o suficiente para dar direção, mas não tão engessado a ponto de limitar a atuação do demônio – eles às vezes encontram soluções inesperadas. Por exemplo, ao invés de pedir “ganhar na loteria” (fixo e difícil de canalizar), peça “atrair uma grande oportunidade financeira” e deixe o “como” em aberto. Lembre-se do ditado: “Os demônios ouvem o que você vibra, não apenas o que você fala.” Então realmente sinta a emoção do seu pedido – veja-se já prosperando, sinta gratidão antecipada, entusiasmo. Isso emite uma “assinatura” forte.

Depois de pedir, silencie e observe. Dê espaço para o espírito se comunicar. Você pode fazer perguntas diretas e perceber respostas na sua mente (pode ser sua própria voz interior respondendo de forma inesperada – anote depois essas ideias). Ou simplesmente ficar atento a qualquer visão, palavra ou sensação que surja. Muitas vezes, a comunicação é sutil e simbólica – por exemplo, de repente uma lembrança de infância vem à tona (talvez contendo uma lição útil), ou a imagem de uma ferramenta (martelo, computador – interpretável como sugestão de ação). Às vezes, o demônio fala claramente na mente com frases formadas; noutras, comunica-se através de alteração emocional (você sente uma coragem súbita, ou uma serenidade que parece dizer “tudo ficará bem”). Confie nas primeiras impressões; não as descarte como “coisa da minha cabeça”, pois é exatamente pela sua cabeça (subconsciente) que o espírito está conversando se for genuíno[37]. Essa integração psíquica é esperada – lembra que sua mente em estado alfa/theta se torna uma ponte?[36] Você pode receber conselhos valiosos nesse momento: ouça com humildade. Se sentir vontade, dialogue. Por exemplo: “O que me aconselha fazer para melhorar minhas finanças?” e aguarde alguma intuição repentina.

Importante: mantenha-se respeitoso o tempo todo. Se alguma visão perturbadora aparecer (ex: o rosto do demônio numa forma assustadora), não entre em pânico; às vezes o medo projeta isso. Respire e reafirme mentalmente seu respeito e que você vem em paz. A grande maioria das experiências será positiva ou neutra se você entrou com bom preparo mental (evitando projeções de terror religioso e paranoias). Os demônios “gostam” de colaborar quando abordados como antigos amigos sábios – pois assim eles também recebem energia, atenção e possíveis oferendas, o que os fortalece. Como já foi dito, “espíritos elevados servem apenas seus confidentes e amigos íntimos”, portanto seja confiante e faça-se um amigo[41].

1.      Selando o Acordo e Oferta: Quando sentir que já expôs tudo e recebeu o que podia (o tempo de comunicação varia – pode ser 5 minutos de quietude ou meia hora; não prolongue muito além do necessário, pois a concentração cai), é hora de concluir. Se prometeu uma oferenda em troca, declare-a agora. Por exemplo: “Conforme prometido, oferecerei em tua honra [tal coisa].” Pode ser algo simbólico como acender velas por sete dias, ou depositar algumas moedas numa encruzilhada, ou queimar uma nota de dinheiro (um sacrifício econômico pequeno) – faça o que estiver ao seu alcance eticamente. Uma prática bacana é prometer doar uma quantia para caridade caso seja atendido – assim você, o espírito e outras pessoas se beneficiam. (No Grande Grimório, exigia-se que o mago desse parte de cada tesouro achado em caridade e mantivesse segredo, senão perdia tudo[4] – uma sabedoria oculta aí: praticar generosidade e discrição faz a fortuna durar, virtudes que o próprio demônio exigia.) Você também pode combinar: “Quando eu perceber os resultados, publicarei um artigo testemunhando teu auxílio” – espíritos gostam de fama, pois aumenta a egrégora deles. Só prometa o que de fato poderá cumprir, e cumpra mesmo depois! Esta é a contrapartida do mago. Diferente dos contos, raramente eles pedem algo dramático; geralmente basta o respeito e pequenas oferendas. Mas a sua palavra tem peso mágico – quebrá-la poderia causar infortúnios (às vezes psicológicos de autoculpa ou energéticos de desfazer o trabalho). Então seja honrado.

Feita a oferta (pode depositar fisicamente no altar nesse momento, tipo: derramar o vinho, queimar o papel pedido, etc.), agradeça sinceramente. Sinta a gratidão como se já tivesse dado certo – isso eleva uma vibração de conclusão positiva. “Grato, [Nome], por ouvir e aceitar meu pedido. Tua presença é uma honra.”

1.      Licença para Partir: Assim como você convidou, deve agora despedir o espírito. Jamais termine abruptamente sem formalizar a saída – isso é etiqueta espiritual básica, evita qualquer resíduo energético indesejado. Numa abordagem respeitosa, esqueça aquelas fórmulas de “Vai-te em paz para teus lugares...”. Em vez disso, use algo cordial: “[Nome], muito obrigado por tua visita. Peço que voltes em paz ao teu reino, levando minha gratidão. Que não haja ofensa entre nós. Vai em paz e retorna quando chamado, se assim desejares.” Você pode traçar um símbolo de banimento no ar (como um pentagrama, ou simplesmente estalar os dedos e dizer “Está feito”). Sinta que a presença se retira. Visualize o sigilo perdendo o brilho e voltando a ser um desenho normal.

Se por acaso a atmosfera ainda parecer carregada ou você se sentir muito agitado, faça uma breve banimento genérico: pode ser uma oração, queima de incenso de limpeza (sálvia, arruda), ou um som alto (sino, palmas) para “quebrar” a energia. Isso tranquiliza o ambiente e sua psique, sinalizando que o momento extraordinário acabou. Lembre-se: rituais modulam intencionalmente nosso estado mental – terminar o ritual ajuda a voltar ao estado normal de forma saudável. Pesquisas mostram que rituais de conclusão diminuem a ansiedade residual, dando senso de controle e alívio[33][42].

1.      Fechamento: Apague as velas (alguns deixam queimar até o fim se for seguro, como sinal de respeito – escolha conforme praticidade). Recolha ou descarte as oferendas conforme a tradição: líquidos podem ser derramados na terra, objetos deixados num jardim ou encruzilhada posteriormente, papéis queimados e cinzas ao vento, etc. Agora seu ritual está oficialmente encerrado.

Durante todo esse processo, procure manter uma atitude mística e confiante. Você está desempenhando um ato simbólico poderoso, e seu cérebro e espírito recebem isso como real. Estudos mostraram que mesmo rituais seculares podem liberar substâncias calmantes e reforçadoras no cérebro, como endorfinas (especialmente se envolvem movimentos sincronizados, canto, etc.), gerando prazer e reforçando a crença no sucesso[43][44]. Então o ritual em si deve ser significativo para você. Personalize o quanto quiser para aumentar seu senso de conexão – seja adicionando sua música favorita de fundo, seja vestindo uma roupa que te faça sentir poderoso, seja usando sua língua nativa nas conjurações (português mesmo, os espíritos certamente entendem sua intenção).

Após o Ritual: Impactos Neurológicos, Psíquicos e Espirituais

Quando o ritual termina, na verdade a magia continua em movimento – tanto dentro de você quanto, acredita-se, no mundo externo. Vamos analisar o que acontece depois: no nível psicológico/neurológico, no nível energético/psíquico, e no nível prático.

1. Estado Mental e Bioquímico Imediatamente Após: Você pode se sentir exausto ou eufórico – ou ambos quase simultaneamente. É comum haver um “alívio” porque a tensão foi liberada: seu cérebro para de liberar adrenalina intensa e começa a liberar dopamina (pela sensação de realização) e endorfina (relaxamento pós-esforço, semelhante ao que se sente após exercício)[44]. Muitos praticantes relatam uma calma confiante tomar conta: isso é fruto de ter acalmado a ansiedade pelo ritual em si e pela situação financeira. Afinal, ao fazer o ritual, você deu um passo concreto para solucionar o problema – isso por si só já empodera a mente, diminuindo aquela sensação de impotência que causa estresse. Como citamos, pesquisadores notaram que fazer um ritual (mesmo que “placebo”) antes de uma tarefa estressante reduz significativamente a ansiedade e melhora a performance[32][33]. Portanto, se antes você estava desesperado por dinheiro, agora provavelmente sentirá esperança e controle. Esse alívio emocional tem até efeitos físicos: menor tensão muscular, respiração mais ritmada e clareza mental.

Algumas pessoas podem sentir cansaço – principalmente se o ritual foi longo ou emotivo. Isso é normal, já que você possivelmente entrou em transe, o que consome glicose do cérebro e pode ter alterado sua frequência cardíaca. É parecido com o cansaço pós-meditativo ou pós-oração fervorosa. Cuide-se: coma algo nutritivo, beba água, terra-se (lavando mãos e rosto ou tocando os pés no chão). Isso repõe sua energia e ancora você de volta ao cotidiano.

2. Integração Psicológica e Sincronicidades: Nos dias que seguem, seu inconsciente continua trabalhando no objetivo. Você programou a “máquina psíquica” com o ritual. Provavelmente perceberá um aumento de sincronicidades ligadas a prosperidade: talvez encontre alguém “por acaso” que menciona um emprego, ou ligue o rádio e ouça uma dica de investimento, ou sonhe com números. Psicologicamente, isso é explicado pelo efeito de priming e do sistema de ativação reticular – quando focamos num tema (ex: comprar um carro vermelho), começamos a notá-lo em toda parte. Ou seja, seu cérebro filtra oportunidades antes invisíveis e te alerta. Espiritualmente, claro, podemos interpretar que o demônio está soprando oportunidades ao seu redor ou mexendo os pauzinhos para abrir caminhos. Ambas visões se complementam: afinal, se você nota a oportunidade e age, a magia se concretiza. O demônio pode tanto atuar externamente quanto internamente dando esse “click” na sua percepção.

Você também pode ter insights tardios: ideias que brotam na cabeça do nada, decisões de tentar algo que antes não cogitava. É comum após rituais a pessoa ter uma clareza incomum sobre o que fazer. Por exemplo, depois de evocar Bune, você subitamente pode ter vontade de reorganizar suas finanças, cortar gastos supérfluos – algo que vinha procrastinando. Ou sente coragem de pedir aumento ao chefe. Essas mudanças de atitude são o resultado psíquico do trabalho mágico. Neurologicamente, criamos um “atalho” mental durante o ritual associando certo estímulo externo (velas, sigilo, etc.) a um estado de confiança e foco. Como disse uma especialista, “ações simbólicas como acender uma vela criam atalhos no cérebro que nos lembram o estado mental que queremos alcançar”[30]. Então, depois, ao simplesmente lembrar do ritual ou ver o sigilo anotado, você reentra parcialmente naquele estado empoderado – o que ajuda a manter a motivação nos objetivos materiais.

Também vale observar sonhos nas noites seguintes. Espíritos podem comunicar conselhos através de sonhos simbólicos. Mantenha um caderno de sonhos à mão; anote tudo, mesmo que pareça nonsense – pode haver mensagens úteis decodificáveis com calma.

3. Manifestação dos Resultados e Acompanhamento: Com o passar das semanas, fique atento aos movimentos da vida relativos ao dinheiro. A manifestação pode vir de formas inesperadas. Talvez não seja exatamente o que você imaginou – por isso é importante estar receptivo. Por exemplo, você pediu prosperidade no emprego, mas do nada surge uma proposta em outra empresa; ou um talento seu até então hobby começa a atrair encomendas pagas. Honre essas oportunidades: do ponto de vista espiritual, é a resposta do demônio cobrando sua parte – lembra da história do homem na enchente que rezou a Deus mas recusou o barco, o helicóptero etc., esperando milagre? Não cometa o erro de ignorar as “mãos” que o universo (ou o demônio) te enviar. A magia frequentemente se concretiza através de meios naturais e não de maneira cinematográfica.

Conforme os resultados forem aparecendo, cumpra suas promessas. Se disse que doaria X dinheiro quando conseguisse emprego, doe. Se era publicar um agradecimento, faça-o (pode ser anonimamente num fórum, contando sua experiência). Essa entrega reforça a egrégora do espírito e fecha o ciclo com chave de ouro, mostrando gratidão. Agradeça novamente em prece simples quando alcançar o que queria. Nada impede também de você cultivar um relacionamento contínuo com o demônio: não precisa sumir só porque conseguiu. Pode, periodicamente, acender incenso para ele, conversar, manter uma parceria. Magistas experientes chegam a estabelecer pactos de longo prazo onde aquele espírito vira meio que um “patrono” constante (por ex., todo mês o magista faz uma pequena oferenda a Bune, e em troca Bune acompanha seus projetos financeiros sempre).

4. Aspectos Espirituais e Energéticos: Se você acredita literalmente em espíritos, então após o ritual você não está mais sozinho em sua busca por riqueza – tem um aliado sutil. Pode confiar que, em nível astral, essa força está movendo coisas a seu favor. Alguns ocultistas relatam que após evocações sentem a presença do demônio nos dias seguintes, meio como um “mentor invisível” soprando ideias ou alertando de perigos. Isso pode ser interpretado como uma parte do seu subconsciente personificada que ficou mais ativa (modelo psicológico) ou como a real companhia do espírito (modelo espiritual)[45]. Novamente, ambos os modelos não se contradizem necessariamente. O importante é perceber as mudanças: tanto dentro (pensamentos, sentimentos) quanto fora (eventos, pessoas).

Saiba também que magia de prosperidade tende a ter efeito cascata: ela mexe em hábitos de vida. Você pode se sentir mais disciplinado ou confiante sem saber por quê – possivelmente influência energética do ritual. Demônios muitas vezes “testam” o magista para ver se ele realmente quer melhorar. Por exemplo, após pedir ajuda financeira, você pode enfrentar uma situação onde precisará demonstrar coragem ou largar algo que sabotava seu progresso (um gasto vicioso, um emprego que te estagnava). Encare isso como parte do processo de crescimento que o espírito está guiando. Siga a intuição e as portas que se abrem.

Por fim, não negligencie o follow-up mundano: continue se esforçando no trabalho, estude sobre finanças, busque networking. A magia potencializa nossas ações, mas não substitui a necessidade de agir no plano material. Entretanto, você notará que agir fica mais fácil: o ritual reprogramou sua mente para o sucesso, limpou medos e procrastinação. Em termos neurológicos, você criou um hábito cognitivo de sucesso – repetindo a mentalização de vitória no ritual, você treinou seu cérebro para acreditar mais em si mesmo e persistir[30][44]. Assim, antes do ritual você se sentia acuado e derrotado; depois, se sente um jogador proativo no jogo da vida. Essa mudança interna é talvez o tesouro mais valioso que a magia proporciona, pois permanece em você para empreitadas futuras.

Conclusão: Uma Síntese Entre Oculto e Moderno

Escolher e evocar um demônio para prosperidade é, como vimos, uma prática que integra tradição e inovação, fé e psicologia, espírito e matéria. De um lado, nos baseamos em ensinamentos antigos – das páginas empoeiradas do Lemegeton e do Dragão Vermelho – que nos orientam sobre quais entidades controlam as riquezas e como abordá-las. De outro, usamos a liberdade da magia do caos e a filosofia do luciferianismo moderno para atualizar essas práticas, removendo medos supersticiosos e entendendo que “a crença é uma ferramenta” nas mãos do mago[39]. Sabemos que respeitar um espírito e ao mesmo tempo empoderar-nos com ele é possível e desejável. O objetivo não é se submeter a forças externas por ganância cega, mas despertar poderes internos – muitas vezes personificados nesses demônios – para alcançar abundância com sabedoria.

Para os iniciantes, espero ter esclarecido que trabalhar com demônios não é como nos filmes de horror, e sim um caminho de conhecimento e autodescoberta. Não precisa ter medo se você se aproximar com respeito, ética e bom senso. Aliás, como enfatizado, esse caminho exige estudo e responsabilidade. Portanto, estude profundamente antes de praticar – conheça as correspondências, técnicas de proteção, e mantenha sua saúde mental equilibrada. Se ainda se sentir inseguro, não há vergonha em buscar um mentor. Pode ser um amigo experiente, uma comunidade ocultista de confiança, ou até mesmo contratar um magista profissional para conduzir o ritual para você (há quem ofereça esse serviço, como alguns autores de sites demonológicos mencionam[46]). O importante é que você se sinta seguro no processo, pois o medo descontrolado é seu pior inimigo mágico.

Para os já experientes, procuramos trazer novas perspectivas – talvez você encontre aqui inspirações para incorporar conceitos de neurociência em sua prática (entendendo o trance como ponte para o subconsciente) ou para experimentar a inclusão de egrégoras como Baphomet para dar solidez ao seu templo interior. O caminho ocultista é vasto e em constante evolução; o magista inteligente bebe da fonte antiga e da fonte nova, discernindo por si o que funciona.

Em tom figurativo e inspirador, imagine que este ritual de prosperidade é como plantar uma árvore mágica: você escolhe a semente (o demônio, carregado de potencial), prepara o solo (sua mente e ambiente), planta com intenção e cuidado (o ritual), e depois nutre o crescimento (ações concretas e acompanhamento espiritual). Logo, os frutos – riquezas, oportunidades, crescimento pessoal – começarão a pender dos galhos. Alguns frutos virão doces e rápidos, outros demorarão a amadurecer, mas a árvore certamente criará raízes profundas em sua vida, transformando-a.

Que você possa, com responsabilidade e intuição, trabalhar lado a lado com esses espíritos ancestrais para co-criar uma vida mais próspera, abundante e significativa. Lembre-se das palavras do ocultismo moderno: “Nada é verdadeiro; tudo é permitido”, no sentido de que você tem a liberdade de criar sua realidade com as crenças e métodos que escolher – e também a responsabilidade pelos resultados dessa criação[39][40]. Use essa liberdade com sabedoria, coração e – por que não? – um toque de ousadia luciferiana.

Boa sorte e muita luz (e lucros!) no seu caminho. Que Paimon inspire sua mente, Bune encha seus cofres e Purson revele oportunidades ocultas – sob a benção de Lúcifer, que sua ascensão seja não apenas material, mas também espiritual. E que Baphomet lhe lembre sempre do equilíbrio sagrado entre o ouro e a alma.

Assim está escrito, assim se faça! 🔱✨

Referências e Fontes de Pesquisa:

·         Lemegeton / Ars Goetia – descrições originais de Paimon, Bune, Purson[6][10][11]

·         Luciferian Goetia (Michael W. Ford) – interpretação luciferiana de Paimon e outros[47]

·         O Grande Grimório (Dragão Vermelho) – hierarquia infernal de riquezas (Lúcifer/Lucifuge)[1][2]

·         Grimorium Verum – espíritos de riqueza como Clauneck[5]

·         Demonologia moderna – experiências com Paimon, Bune etc. em contextos de dinheiro[8][48]

·         Conceito de egrégora de Baphomet – simbolismo de não-dualidade e caos[24][23]

·         Magia do Caos – princípio de crença como ferramenta[39][40]

·         Neurociência dos rituais – efeitos na ansiedade e foco[31][33]

(As citações numeradas remetem às fontes mencionadas ao longo do texto, fornecendo respaldo teórico aos pontos discutidos.)


[1] [3] [4] Lucifuge Rofocale | Mythos and Legends Wiki | Fandom

https://mythos-and-legends.fandom.com/wiki/Lucifuge_Rofocale

[2] [5] [41] Book of Ceremonial Magic: Chapter III: Concerning the Des... | Sacred Texts Archive

https://sacred-texts.com/grim/bcm/bcm51.htm

[6] [7] [28] [47] Paimon – Demon King of the Day – Demon Encyclopedia

https://demonsanddemonolatry.com/demon-of-the-day-king-paimon/

[8] [9] [10] [14] [15] [25] [26] [46] [48] 10 Powerful Demons You Can Summon for Money - The Occultist

https://occultist.net/powerful-money-demons/

[11] [27] Purson: The Complete Demon Profile - The Occultist

https://occultist.net/purson-demon/

[12] [13] [29] Purson – Demon King of the Day – Demon Encyclopedia

https://demonsanddemonolatry.com/demon-of-the-day-king-purson-day-demon/

[16] [17] [19] Working with Lucifer in the occult | by Ngakpa Konchok Dorje Tsondon | Roots And Rituals | Medium

https://medium.com/roots-and-rituals/working-with-lucifer-in-the-occult-afa0c70d834b

[18] How to Summon Lucifer: The Seven Spheres Ritual - Occultist.net

https://occultist.net/how-to-summon-lucifer/

[20] [21] [22] Baphomet – The Great Goat of the Universe – Demon Encyclopedia

https://demonsanddemonolatry.com/baphomet-the-great-goat-of-the-universe/

[23] Sigil of Baphomet - Wikipedia

https://en.wikipedia.org/wiki/Sigil_of_Baphomet

[24] Can one do work and practice with the angels/archangels while also practicing/walking the left hand path? : r/occult

https://www.reddit.com/r/occult/comments/14m90rj/can_one_do_work_and_practice_with_the/

[30] [31] [32] [38] [42] The Neuroscience of Ritual - Be Ceremonial

https://www.beceremonial.com/blog/the-neuroscience-of-ritual/

[33] [43] [44] How Rituals Rewire Your Brain | Spirituality+Health

https://www.spiritualityhealth.com/how-rituals-rewire-your-brain

[34] [35] [36] [37] Brain Waves and Trance - Birmingham Clinical Hypnotherapy

https://birminghamclinicalhypnotherapy.com/brain-waves-and-trance/

[39] [40] sacred-texts.com

https://sacred-texts.com/eso/chaos/princhao.txt

[45] Transcending Theory: Exploring the 5 Models of Magick - Reddit

https://www.reddit.com/r/chaosmagick/comments/1eh3dqn/transcending_theory_exploring_the_5_models_of/

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