A visão de Ezequiel e o holograma divino: um mapa ocultista para o magista do caos


O inconsciente veste forças cósmicas com as máscaras que consegue suportar.

Introdução

O primeiro capítulo de Ezequiel (1:1–28) é uma das passagens mais enigmáticas da Bíblia Hebraica. O profeta descreve rodas dentro de rodas, criaturas híbridas com faces múltiplas e um trono de safira cercado por fogo e arco-íris. Para o leitor literalista, trata-se da visão de Deus em sua glória. Para o místico judeu, é a fundação da Merkavá — o carro-celeste.

Mas, para o magista do caos, esse texto funciona como um manual de interface simbólica, uma transmissão holográfica adaptada à mente de Ezequiel, que pode ser reutilizada hoje como tecnologia visionária e mágica. Este artigo explora como essa visão dialoga com tradições antigas, com teorias modernas e, principalmente, como pode ser integrada ao ofício caótico.


1. A visão de Ezequiel: mito ou tecnologia?

O profeta descreve quatro seres com múltiplas faces (homem, leão, touro e águia), rodas que giram em todas as direções, um firmamento cristalino e um trono.

  • Para a tradição judaica, essas imagens representam os Chayot (seres viventes) e os Ofanim (rodas), camadas hierárquicas da visão de Deus.

  • Para estudiosos como Gershom Scholem e Moshe Idel, trata-se de um sistema de êxtase místico: subir nos “palácios” do divino através da contemplação dessas formas.

  • Já interpretações modernas, como as de Jacques Vallée, sugerem que fenômenos anômalos se apresentam através de “máscaras culturais” — um argumento que encaixa perfeitamente em Ezequiel: uma interface holográfica moldada ao repertório de símbolos do profeta.


2. Comparações com Egito, Suméria e ufologia

A semelhança com deuses egípcios híbridos (homem com cabeça de animal) é inegável. Na Mesopotâmia, encontramos os Anunnaki, deuses descendo em brilho e poder. A descrição de “rodas dentro de rodas” lembra tanto engrenagens quanto discos voadores — e não é à toa que autores como Erich von Däniken associaram essa visão à hipótese extraterrestre.

Para o magista do caos, porém, o valor não está em decidir se eram anjos, deuses ou ETs, mas em perceber a lógica: uma forma incompreensível traduzida em símbolos compreensíveis.


3. Leituras ocultistas e caóticas

Na linguagem mágica:

  • As quatro faces correspondem aos quatro elementos e aos signos fixos do zodíaco.

  • Os Ofanim representam os ciclos de feedback da intenção mágica — o motor do ritual.

  • O Firmamento cristalino é a tela da consciência, onde as visões são projetadas.

  • O Trono de Safira simboliza o ponto central de coerência: a consciência unificada que recebe a mensagem.

Assim, Ezequiel não descreve um “deus distante”, mas uma arquitetura psíquica-operacional. O magista do caos pode usar esse mapa para evocar servidores, realizar scrying ou até carregar sigilos com energia visionária.


4. Como o magista do caos pode aplicar

A chave está em usar a visão como estrutura ritual. Em vez de dogma, ela se torna diagrama: quatro direções, roda-sigil, superfície de visão (espelho, água, tela digital), evocação curta e absorção das imagens recebidas.

Essa prática conecta o operador a um campo visionário que funciona como holograma, traduzindo mensagens, insights e instruções em símbolos arquetípicos.


Conclusão

A visão de Ezequiel não é apenas uma relíquia religiosa. É um protocolo mágico que pode ser relido e usado por qualquer praticante da magia do caos como interface para acessar forças transdimensionais, sejam elas chamadas de anjos, deuses, arquétipos ou inteligências não-humanas. O segredo está em operar a visão, não venerá-la.


Exemplo prático: O Ritual da Roda dentro da Roda

Objetivo: receber uma mensagem clara sobre um problema atual.

Materiais:

  • Um espelho negro ou tigela de água escura.

  • Um círculo com duas rodas concêntricas desenhadas em papel (seu “Ofanim”).

  • Quatro marcas em volta (homem, leão, águia, touro) ou os quatro elementos.

Passos:

  1. Sente-se diante do espelho, coloque o sigilo da roda no centro.

  2. Declare sua intenção em voz alta: “Que o Carro Celestial me revele a aparência compreensível da resposta a…”.

  3. Visualize as quatro faces ao seu redor, cada uma guardando uma direção.

  4. Fixe o olhar no espelho até que formas, símbolos ou frases surjam.

  5. Anote imediatamente as imagens recebidas.

  6. Para fechar, agradeça e apague mentalmente as rodas, respirando fundo três vezes.

O que você viu? Símbolos híbridos, animais, cores, palavras fragmentadas? Trate-os como mensagem holográfica: códigos para decifrar com sua própria prática mágica.



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