Os Três Portais do Nada - A Maldição de Hécate


Pelos três risos da noite sem nome, na geometria tortuosa onde os caminhos se dissolvem,

Aquela Que Observa ergue a tocha e não há sombra onde se esconder.

Seu manto é feito de ausências, e os que andam sob ele jamais voltam a ser vistos.

Os mentirosos caminham de costas, os traidores não têm espelhos,

Os ladrões carregam os próprios crânios, sempre perguntando onde foi que se perderam.

O vinho que verte das bocas não é vinho.

As palavras que saem das línguas não são palavras.

As promessas feitas sem peso dissolvem-se no ar antes mesmo que possam ser ouvidas.

Os cães que nunca existiram perseguem aqueles que juraram pelo que não tinham.

Seus dentes não tocam a carne, mas a memória.

Seus olhos não olham para fora, mas para dentro.

Os palácios de vidro dos falsos brilhantes ressoam com o eco de suas próprias fundações desmoronando.

Os festins da ilusão são servidos em pratos invisíveis,

E as gargalhadas dos convidados tornam-se uivos quando percebem que nunca houve banquete.

No alto da colina onde as portas não têm chave,

Ela gira os anéis de cobre no sentido inverso,

E os nomes são desfeitos como poeira na língua de quem os pronunciou.

Pelos três risos da noite sem nome, pela tocha que nunca se apaga,

Os que andam no vazio serão o próprio vazio.

E suas pegadas levarão a lugar nenhum.

Assim declaro, está feito! 

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